Freqüentei por um tempo a faculdade de filosofia. Os posts a seguir são sobre um tema interessantíssimo, a técnica, podendo ser lida também como tecnologia. As idéias que se seguem são do Heidegger, as palavras são extratos simplificados de uma prova que eu fiz sobre o texto A Questão da Técnica do referido filósofo.
– A essência da técnica como Com-posição (Ge-stell)
A técnica moderna transforma todos os seres em objetos de manipulação. A urgência da sociedade moderna em dominar a natureza proporcionou este relacionamento particular com a técnica. Transformadas em objetos de manipulação, as forças da natureza devem ser controladas e reguladas em prol do desenvolvimento da humanidade. A natureza então passa a se constituir num conjunto de meios para o consumo do homem, num manancial de recursos naturais para serem explorados. Numa conjunção de forças que devem ser dirigidas e otimizadas. A natureza passa a estar em estado de prontidão para ser explorada. Um recurso natural – pois tudo na natureza passa a ser visto como recurso natural, inclusive o homem – fica disponível para ser manipulado, transformado e distribuído numa cadeia de atividades que acaba compondo uma grande teia logística a serviço da humanidade. Todos os seres passam a fazer parte dessa com-posição e se transformam em meios para um fim material, devendo ser adequadamente controlados e otimizados. A humanidade passa a constituir e a comandar o ser, ao preço de, mesmo na posição de capataz da natureza, tornar-se um mero recurso de si mesma.
Essa maneira de revelar, que coloca os recursos naturais em reserva para serem manipulados é a essência da técnica moderna, a Ge-stell, a com-posição de recursos disponíveis. Porém, a revelação da Ge-stell também produz ocultamentos no ser. Esconde o revelar do ser no sentido de poiesis. Portanto, a essência da técnica moderna se dá à custa da perda de essência do ser. De todo ser, a humanidade, por exemplo, é um ser.
O ser revelado sob o âmbito da Ge-stell substitui o ser desvelado pela pre-sença da alétheia.