Arquivo para Julho, 2008

Noite diferente

Posted in Uncategorized on Julho 28, 2008 by fcaneves

A vida era sem graça. Ele andava pelo meio da rua. Já era madrugada mas ele estava descansado. Ele andava sem cansar. Muitos quilômetros.

Trabalhou. Não bebeu. Não fez nada durante o dia. E durante a noite. Nada de importante. Nada do que interessa.

Mais ou menos de seis em seis meses, quando o tédio acumulava demais, ele cismava de sair andando.

Sem destino pela cidade grande. Sempre acabava bem a caminhada. Bom, sempre acabava. Não poderia ser de todo mal acabar em casa — ele nunca esperou nada de diferente. Era bom porque nunca acabou no hospital, nunca na polícia, nunca no cemitério.

Assim ele pensava …

Já passa de duas horas. Ele já não sabe há quanto tempo anda.

Ele cruza com uma menina da noite. Sorridente. Solitária como ele, mas alegre. Alegre !

“Oi menino, vem cá. Qual é o seu nome?”

Nunca chamaram ele de menino.

Ela fala novamente, “Vamos ficar juntos hoje, eu moro aqui perto.”

“Eu não sou quem você imagina. Eu não tenho dinheiro.”

Ele pensava que com este tipo de gente é só falar que não tem dinheiro que tudo morre na hora.

Ela disse, ” eu também não sou quem você imagina, vem cá.”

Chegaram na casa dela. O que aconteceu lá, ninguém sabe ao certo, só os dois. O que se sabe é que ele só saiu de lá 10 horas depois. De maca, sem andar, na ambulância.

No hospital, o médico com vontade de rir disse: “Rapaz, o que você andou fazendo? E por quanto tempo ?! O que você tem é … cãibra no saco !”

Homenagem ao Coringa

Posted in Uncategorized on Julho 23, 2008 by fcaneves

O Coringa de quem vou falar não é o do novo Batman, filme que eu ainda não assisti. Nada contra, gosto dos filmes de ação de Hollywood. Considero o Batman um dos super-heróis mais interessantes. O mais sábio, o mais discreto de todos.

Para quem acredita em OVNIs e teorias da conspiração, existe a lenda urbana que diz que o Batman foi deliberadamente criado para ser um super-herói gay.

´Bat´ em inglês além de ´morcego´ significa ´taco´, ´bastão´. No popular também é gíria para a genitália masculina. O Homem Bastão. Ele vive numa caverna com o Robin — pintarroxo, um passarinho — e com o mordomo, que teria ciúmes do relacionamento dos dois. Os bandidos seriam heterosexuais tresloucados. Para sair do crime, a Mulher-gato já pediu o Batman em casamento. A resposta dele foi “me peça tudo menos isto.”

É muito engraçado pensar nisso tudo. Mas francamente eu não acredito. É só uma lenda.

Mas eu quero falar do Coringa original. De todas as cartas do baralho, o Coringa é a que eu mais gosto. Ele não pertence a nenhum naipe. Ele não tem a hierarquia definida das outras cartas. Ele não é o Rei, que vale mais que a Rainha — na vida real, não seria o contrário? –, ele não é um gênio, um Ás. O Coringa é o vagabundo, é o bobo da corte, é o artista.

E é a carta mais importante de todo o baralho. Por não ter naipe, ele não discrimina. Por não ligar para hierarquia, ele é o único que se mistura com todas as cartas. O Coringa é quem se junta aos desacreditados e os transforma em vencedores.

O coringa é quem olha para além das convenções.

Numa vida, o objetivo de se tornar um, como diria Bob Dylan, Jokerman, não seria interessante?

O Coringa me lembra como é pouco inteligente a tendência do ser humano em se definir por categorias estanques que anulam umas as outras. Tipo eu sou de direita ou eu sou de esquerda. Como se uma posição invalidasse completamente a outra, como se em cada ponto-de-vista não houvesse uma parcela de verdadeiro e falso.

A figura do Coringa também mostra o ridículo que é uma pessoa pensar por rótulos ou convensões ou preconceitos, tipo, eu sou brasileiro então não gosto de argentino, ou, eu sou hétero então eu detesto os gays, enfim …

Viva o Coringa.

The salt of the earth

Posted in Uncategorized on Julho 19, 2008 by fcaneves

A classe média dos Estados Unidos está sob um estresse imenso. E está diminuindo muito de tamanho. O pequeno produtor rural perdeu espaço para a grande empresa agrícola. O pequeno comerciante perdeu lugar para a grande cadeia varejista. O operário perdeu lugar para operários que ganham menos em outros lugares do mundo.  Até profissionais altamente qualificados, dependendo do ramo, estão perdendo empregos para seus similares em países emergentes. Mesmo com a desvalorização do dólar esta última tendência não acaba.

Do final da Segunda Guerra até bem recentemente a imensa classe média americana era de dar inveja. Consequência de uma conjuntura histórica única, ela tinha um padrão de vida altamente confortável com um poder de consumo fabuloso. Nesta época, o sonho do novo rico brasileiro era poder desfrutar do padrão de consumo do blue collar americano.

Nada voltará a ser como era antes. Mesmo que a classe média de lá reapareça com força, será outra, com outros empregos, com outra educação, será um novo grupo social.

Hoje em dia, o cinturão de indústrias pesadas que vai do centro-norte ao nordeste dos EUA é chamado de Rust Belt. Um economista amigo me disse: “Os EUA vão ficar mais como o mundo e o mundo vai ficar mais como os EUA”. Ele se referia à diferença de renda entre ricos e pobres que vai aumentar nos EUA e diminuir no resto do mundo. Eu concordo integralmente.

Eu tive uma convivência autêntica com alguns remanescentes da antiga classe média americana. Fiz uma visita a um autódromo. Não é dos mais famosos, mas tem Nascar uma vez por ano. Fiz um passeio gratuito guiado por uma senhora já nos 70. No grupo além de mim e da guia, um casal típico de classe média. Ele, bombeiro. Todos gente simples, gente boa.

O bombeiro sem se identificar perguntava seguidamente como era o sistema de combate a incêndio do lugar.

A pista oval grande estava com o sinal vermelho aceso. O bombeiro falou, “que se dane, vamos entrar!”. a guia hesitou e falou, “eu vou perder o emprego”. Não entramos.

Paramos em frente a placas de bronze de algumas lendas que morreram. Todos olharam com reverência. Eu não conhecia uma.

Quando subimos num dos camarotes da pista principal, o bombeiro se empolgou. Disse que já entrou num daqueles em Indianápolis, e que assaltou a geladeira local com os amigos. Eles beberam todas as cervejas e fizeram uma bagunça. Foi uma experiencia memorável para ele.

A mulher do bombeiro deu uma esnobada dizendo que foi a Daytona, e que aquilo ali não a impressionava. Discutiram sério.

A guia nos diz: “Este camarote custa 400 mil dólares para a corrida de Nascar.” Vem a pergunta, genial: “Com o ingresso incluído ?!”

Fomos informados que o estacionamento perto dos camarotes era pedregoso mas foi asfaltado para não estragar o salto de quem sai das limosines. Pensei: “será que nos anos 50 o pessoal dos camarotes andava de limosine?”. Pensei: “será que um grupo de bombeiros poderia alugar um camarote naquela época?”. Acho que talvez sim. Hoje, impossível.

A pista de dragster é liberada toda sexta à noite para quem quiser disputar pegas, “uma boa maneira de evitar arruaça”, disse com simpatia a velhinha.

Muito interessante, descobri que no estacionamento do mini-oval cabem 700 trailers e não sei quantos mil carros, e que em quase todo fim de semana tem evento. “O cachorro quente e a cerveja custam um dólar, mas você pode trazer a sua comida e bebida”. Costuma encher.

Surpreso, pensei: “Ainda bem.” O mundo não gira tão rápido assim.

Manchete surreal

Posted in Uncategorized on Julho 15, 2008 by fcaneves

Deu na capa do jornal O Globo de hoje: “A Bud é nossa”.

Eu não sabia que era dono da Anheuser-Busch, fabricante da cerveja Budweiser. Acho que ela pertence exclusivamente aos seus acionistas.

Imaginemos que eu tivesse ação da Halliburton na Bosla de Nova York — hoje isso é possível e vai ficar cada vez mais — e que eu não tivesse ação da Petrobrás na Bovespa. Eu seria um dos donos da Halliburton e não seria dono da Petrobrás.

A noção de que o povo de um país é dono de uma empresa só porque que ela passa a ser dirigida por um compatriota é simplesmente surreal.

Já disse e repito: o século 21 será marcado pelo enfraquecimento e até desaparecimento do que chamamos hoje de Estado-Nação, que deixará de ter razão para existir.

O niilismo de Acossado e de Notas do Subsolo

Posted in Uncategorized on Julho 12, 2008 by fcaneves

Acossado, primeiro filme do Goddard, e Notas do Subsolo, um pequeno livro de Dostoiévski, são duas obras-primas modernas. Elas têm como protagonistas o que podemos chamar do homem moderno, ou seja, o homem-indivíduo que tem liberdade para fazer o próprio destino. Ambos escolhem ser niilistas.

Nihil significa ´nada´ em latim. Podemos dizer que niilista é quem não acredita que existem valores, sejam eles morais, epistemológicos ou existenciais. Mais importante, niilista é quem pensa que não existe nada de transcedental que possa fundamentar qualquer coisa na vida. Nem Deus, nem nada. Esta atitude leva a crer que nada é válido ou é verdadeiro ou faz sentido ou tem importância. Tudo na vida tanto faz como tanto fez.

Tem o niilismo moral, que considera que não existe certo ou errado e que toda a ação humana dá na mesma em termos morais. Como em toda sociedade existem valores morais vigentes, o niilista deste tipo tem a tentação de querer contrariar os valores vigentes.

Tem o niilismo existencial, para que a vida é um absurdo sem sentido. No segundo em que você pode mudar a sua vida e escolher entre o A e o B, mesmo com desdobramentos radicalmente diferentes, no final tudo dá no mesmo.

Tem o niilismo epistemológico que acredita que não existem verdades no conhecimento humano ou na ciência. Nada prova nada.

E tem o niilismo budista de querer desejar não sentir nada para se destacar do mundo.

Voltando ao que interessa. Eu assisti ao filme bem depois que li o livro. Relacionei de imediato as duas obras. Lembro-me que pensei: O personagem Michel é bem mais leve que o homem do subsolo de Dostoiévski.

Um niilista o personagem de Goddard, sem dúvida. Lembro-me de uma piada deiciosa: ele diz à americana que o acompanha por todo o filme: “eu quero fazer amor com você porque você é bonita”. “Mas eu não sou bonita”. “Então eu quero fazer amor porque você é feia”.

Michel também é um pilantra de marca maior, para ele não existe certo ou errado. Para ele não é errado matar um policial ou roubar dinheiro da ex-namorada. Mas também é um personagem simpático, pois é um homem que não tem ressentimentos do passado, não tem raiva de ninguém, um homem que não pensa no futuro, um homem observador de tudo que quer viver ao máximo o presente. Para ele tudo é permitido. Ele não tem medo da morte, muito pelo contrário, tira sarro dela.

Michel largou o emprego para se tornar um vagabundo. Ao contrário, o protagonista de Dostoiévski sentia o sádico prazer de maltratar as pessoas num empreguinho de repartição pública.

O niilismo retratado por Dostoiévski em Notas do Subsolo é muito mais pesado. É de uma negatividade sinistra. O protagonista — não me lembro do nome — tem um um prazer masoquista em se diminuir e em ser humilhado pelos colegas, um prazer que se torna perversão quando ele se encontra com uma prostituta, a única pessoa que realmente o quer ver bem e que se apaixona por ele.

O niilismo do personagem de Dostoiévski vem da crença do tanto faz como tanto fez. Ele se acha mais inteligente justamente por se considerar niilista. O niilismo vem do fato dele querer — e achar bonito — se depreciar por se achar superior. Vem da descrença na vida pequeno burquesa estável. O personagem prefere ficar mal do que ficar mais-ou-menos.

O cara tem uma doença neurótica na minha opinião.

No final do livro, para mim um dos finais mais memoráveis da literatura, o protagonista aniquila a derradeira possibilidade de felizidade própria. Haja niilismo para achar que tanto faz como tanto fez. Notas do Subsolo é uma obra doentia. Brilhante, mas doentia. E cumpriu com o objetivo de Dostoiévski de criticar os ideais românticos iluministas de ode à razão.

Eu não sou niilista. Acho ridículo o que pode se chegar com ele. Para ficar no exemplo das obras acima, acho erradíssimo matar um policial e imbecil maltratar quem te quer bem. Se a existência humana perdeu um certo sendito com a “morte de Deus”, que a falta de transcedental seja uma força criadora ou criativa para o homem. Cabe a ele dar outro sentido a sua vida, cada um que invente o seu próprio.

O Vinil é o futuro da indústria fonográfica

Posted in Uncategorized on Julho 8, 2008 by fcaneves

Já notaram como a qualidade da rádio brasileira melhorou? Com a diminuição do jabá, a diversidade e a qualidade de músicas no ar melhorou. Por outro lado, quase não se toca mais músicas novas e/ou inéditas.

O problema obviamente não é a falta de músicas novas. Nunca se fez tanta música no Brasil e no mundo, porque nunca foi tão fácil de fazer.

O problema é que a indústria fonográfica está em crise. A venda de CDs caiu vertiginosamente. E sem expectativa de receita não dá para promover novos artistas na rádio.

A indústria do disco ganhou muito dinheiro com a transição — forçada em boa parte — dos Vinis pelos CDs, mas ironicamente o tiro acabou acertando o próprio pé, porque um formato digital e altamente reprodutível e gravável como o CD criou as condições perfeitas para a pirataria na era da internet.

Sob o ponto de vista da democratização da cultura, nada de melhor pôde acontecer com a humanidade que o advento da internet. A internet foi feita sob medida para distribuir música. Tudo que está acontecendo no mundo está disponível a todo o mundo e de maneira descontrolada. Isto é imbatível. E mais imbatível ainda é a música pirata proporcionar que a parcela das músicas que deveriam ser pagas seja distribuída de graça. Não há jeito da indústria fonográfica mudar isto. Já era.

Na minha opinião, a única maneira da indústria fonográfica sair da crise é adotando novamente o Vinil como formato principal de distribuição de músicas. O problema da indústria não é a internet, é o CD que é vagabundo.

O Vinil é melhor que o CD. Ele é maior, ele tem mais espaço para encartes, ele é muito mais colecionável, e, como ele não pode ser duplicado facilmente, tem aquele caráter de preciosidade, de unicidade, uma aura, que o CD não tem. Há quem diga que até em qualidade de som o Vinil supera o CD. Até a dificuldade de distribuição do Vinil é positiva, pois só o torna mais precioso. Até o espaço reduzido para as músicas é positivo, pois só as torna mais valiosas no vinil.

Mas para a indústria fonográfica a maior virtude do Vinil é a seguinte: uma cópia digital do conteúdo do Vinil, além de mais difícil de se fazer, será sempre inferior ao original. Porque o som do Vinil está impresso em relevos, não é um conjunto de bits digitais.

Penso que a readoção do Vinil — com um material gráfico bonito, a um preço acessível — como meio de lançamento de músicas, junto com o abandono do CD para este fim, restaura a indústria do disco. Mesmo com a pirataria de MP3 comendo solta. Neste caso a pirataria voltaria a ser benéfica à indústria, como no tempo dos K-7, uma propaganda gratuita do pacote completo e original que o consumidor só encontraria no vinil.

E tudo começa do zero novamente.

Viva Canudos

Posted in Uncategorized on Julho 5, 2008 by fcaneves

Um amigo francês muito culto me disse outro dia depois de algumas cervejas: “se você substituir a palavra ‘cultura’ na filosofia positivista pela palavra ‘raça’, você tem o nazismo”. E continuou, “pena que não tivemos um episódio como a Guerra de Canudos e um livro como Os Sertões na história da França”.

Comecei a refletir sobre o depoimento. O Brasil na época da Guerra de Canudos era uma república recém fundada sob os preceitos da filosofia positivista. O exército brasileiro tinha acabado de vencer a Guerra do Paraguai. Aí um bando de sertanejos, — uma mistureba de beatos, jagunços e desagregados em geral liderada por um fanático religioso –, monta uma comunidade que começa a crescer num lugar improvável, uma comunidade insignificante que não reconhece a república e que quer reviver a monarquia.

O exército brasileiro é convocado para acabar com a palhaçada com o nobre álibi de levar cultura e civilização àquela subraça bárbara.

E todos sabem no que deu. O exército brasileiro tomou um pau então inimaginável. No começo, os sertanejos estavam praticamente desarmados, no final, armados com as armas abandonadas pelo exército. Foram quatro expediçoes, milhares de soldados mortos, fulgas desesperadas. Uma humilhação imensa — não foi à toa que o Euclides da Cunha morreu do jeito que morreu, num duelo por um militar que chifrou ele com a mulher.

E no final Canudos não se rendeu, resistiu até o último homem.

E depois da vitória foi o exército civilizado que barbarizou quem sobreviveu na cidade.

Esta guerra teve um significado imenso na história do Brasil. Ajudou ao país se descobrir e formar uma identidade nacional mais autêntica. Relativizou a ideologia da filosofia positivista. Mostrou ao Brasil civilizado que o povo mestiço do sertão não é uma subraça, fraca e incapaz, muito pelo contrário …

Sem a Guerra de Canudos o Brasil não seria hoje um país culturalmente moderno.

O Brasil está enriquecendo, mas ainda falta muito

Posted in Uncategorized on Julho 5, 2008 by fcaneves

Todos já sabem que a nova conjuntura econômica mundial favorece o Brasil. Com o enriquecimento da China, da Rússia, da Índia, de países do sudeste da Ásia e da Otomânia a demanda por comida, energia e matérias primas será imensa por um bom tempo. O Brasil é muito competitivo em todos estes setores.

Há muito tempo eu penso que o Brasil é o celeiro do mundo pela extensão territorial arável e pelo sol, e que a única área de vantagem competitiva do Brasil em termos globais é no setor primário, já que não dá para competir com os países da Ásia na manufatura ou com as economias capitaistas mais desenvolvidas nos serviços.

As pessoas tendem a pensar que a corrupção e a fraqueza das instituições governamentais impedem que o Brasil cresça mais. Isto é besteira em termos comparativos, porque isto é universal. Até no país mais certinho que eu consigo imaginar, o Japão, existe a Yakusa, que está infiltrada nos mais altos escalões do governo. Aliás, nem o governo é determinante para o crescimento de um país, tudo acontece como uma inevitabilidade histórica.

Mas ainda falta muito.

Acredito que com tudo a nosso favor durante os próximos 50 anos, talvez, sem exagero, talvez, a cidade urbanizada do Rio de Janeiro suplante em área as suas favelas.

Impressões dos EUA

Posted in Uncategorized on Julho 4, 2008 by fcaneves

Acabo de passar uma semana nos EUA. Seguem abaixo algumas impressões.

Who are you going to vote for president?

De uma típica senhora velhinha conservadora no balcão do aluguel de carros:

“Eles todos mentem, eles todos mentem. Não sei em quem eu vou votar. Sou republicana de carteirinha, mas o país do jeito que está não dá. Eu só votaria na Hillary porque só os Clintons são sujos o suficiente para fazerem as coisas acontecerem. Pena que ela saiu. O Barack Obama é uma promessa, mas é um risco muito grande.”

A resposta me surpreendeu primeiramente porque uma mulher filiada ao partido republicano admite que o governo Bush foi um fracasso a ponto de não querer recompensar o mesmo partido votando no Mc Cain. Em segundo lugar porque ela acredita que um governo para ser eficiente deve ser necessariamente sujo. Em terceiro lugar, porque até ela tem uma certa simpatia pelo Obama.

– Na saída da loja de armas

Não resisti e fui visitar uma loja de armas com estande de tiros. Imenso o lugar. A loja tem todo tipo de armas de mão, perguntei o preço de uma pistola da Taurus, o vendedor me mostra e diz que eu posso ver a arma na mão dele mas não posso pegá-la porque é contra a lei. A mesma loja ganha dineiro — muito dinheiro — alugando armas automáticas para disparo. $50 por 10 tiros.

Ou seja, você pode disparar uma metralhadora na hora e não pode encostar numa pistola descarregada.

O mais interessante foi na saída os dizeres de uma placa em cima de uma lata de lixo:”If you are going to vote for Obama, drop your gun here.”

– Eu fui ao Laos

Posso dizer com orgulho que corri 5Km no meio do deserto ao sol de 40 graus. O evento contava com uma boa organização e com as inevitáveis barracas de produtos de corrida. Peço a uma menina da barraca de bebidas isotônicas para tirar a minha foto. Ela é super simpática comigo, diz que quer muito ir ao Brasil, mas não para comprar biquini e tomar sol em Copacabana.

Ela trabalha com serviço social e morou seis meses no Laos. “O que tem no Laos?”, eu pergunto. “Não tem prédio, não tem cidade, é só pobreza. Fui lá para ajudar”. A conversa continua, passo a admirá-la ainda mais. “Pois é,” eu pensei, “esse é o meu tipo de garota”.