O Obama representa o começo do século XXI

Para mim é um júbilo saber que ele já é o candidato democrata à Presidência dos EUA.

Sob o ponto de vista cosmopolita, torço muito por ele. Na minha opinião, não existe mais essa coisa de interesse nacional de país contra país, não existem mais ideologias antagônicas entre Estados. O que há são apenas antagonismos comerciais e de grupos que são supra-nacionais ou pós-nacionais que representam visões para o futuro da humanidade — e não para países — diferentes. Antagonismos que se assemelham em qualquer parte da aldeia global que é o planeta Terra no século XXI. Aí que o Obama é um dos meus.

Simbolicamente, a eleição dele muda muita coisa. Desmoraliza a direita europeía que é racista, a esquerda latino-americana que é populista, a direita israelense que é ultra-racista, por exemplo. Aumenta a auto-estima da população negra de todo o mundo e em particular um continente que foi humilhado no século XX, enfim, ….

Representa o começo do século XXI.

O Obama é um cara que representa a África — pai queniano — a Ásia — morou na Indonésia — a Europa — mãe branca — a América — cresceu nos EUA –, forçando um pouco até a Oceania, pois ele é do Havaii, lugar que culturalmente é muito ligado a Oceania. Ele é o cosmopolitismo e a globalização encarnados.

A candidatura e a possível eleição do Obama nos EUA enfraquece mais o já enfraquecido conceito de nação, que tende a desaparecer de qualquer maneira com a globalização do comércio e com a verdadeira revolução informacional-tecnológica que vivemos. Num país originalmente WASP um cara que nem descendente total de europeu é pode — e vai — ser eleito presidente. Um cara que é cristão de mentirinha, que não liga para a religião de verdade, e que teve ancestrais muçulmanos. Isso tudo para mim é muito bonito.

Não penso mais em termos nacionais, isso aliás graças também à crítica que veio do próprio pensamento desconstrutuvista e iconoclasta da modernidade européia.

O que eu quero dizer é somos antes de tudo membros da espécie humana. E ficou provada mais uma vez a capacidade de auto-crítica, de auto-superação e de evolução da espécie humana. Seja em que “Estado” for. Seja por elementos ultra-inteligentes situados num pedaço de terra também conhecido por Europa com o desconstrutivismo da cultura iluminusta, seja por elementos mais numerosos e com menor poder intelectual situados num pedaço de terra também conhecido por EUA com o desconstrutivismo prático de uma cultura nacionalista também iluminista.

Que venha o século XXI, época em todos seremos universais !!!

5 Respostas to “O Obama representa o começo do século XXI”

  1. “Que venha o século XXI, época em todos seremos universais !!!”

    Excelente, Flávio! Vida longa ao seu blog!

    Bjs!

  2. Excelente texto, Flavio! Vamos torcer para que, com Obama na presidência, os EUA deixem de lado certos “valores” – que só os ignorantes não percebem – que mais trazem malefícios que benefícios a este mundo. Grande abraço!

  3. Fernando Nunes Says:

    Caro amigo, só mesmo parafraseando os sábios…”Paradoxos e Possibilidades” o que será???

    A história mostra que tudo muda para ficar igual…

    Quem sabe juntando os pontos daqui ha uns anos, possamos entender melhor o que passou… ao futuro …

    Possibilidades

    Parabéns!!!

  4. Leandro Kenski Says:

    Flavio,
    Em primeiro lugar parabéns! Concordo com a sua visão sobre o Obama no fato de ele quebrar com estereótipos das classes dominanes americanas os WASPs e WASJs. Por outro lado, ele me parece o mais arrogante dos candidatos e a “arrogância” é a marca registrada nos nossos amigos dos EUA. Grande abraço e vou tentar sempre contribuir, quando possível.

  5. Não endosso essa euforia em torno da esperada eleição do senador democrata Barack Obama para presidente dos Estados Unidos. Acho uma temeridade ele se tornar o novo dirigente da mais poderosa nação do mundo. O século XXI vai depender agora do Obama, que considero um Lula americano, que sabe de tudo e quando a coisa fica feia não sabe de nada. É o mesmo despreparo, o mesmo discurso enganoso, o mesmo blá-blá-blá, os mesmos chavões e a única diferença está em ser negro e ter escolaridade. Ele não tem a capacidade e a inteligência, por exemplo, da elegante secretária de estado Condoleeza Rice, esta sim, na verdade, uma representante que enche de orgulho a população negra americana. Um articulista de um grande jornal alemão, comentando a recente visita do Obama à Berlim, quando discursou em praça pública para cerca de 200 mil berlinenses que só ovacionaram e nada entenderam, disse existir uma ‘lacuna intelectual’ se comparado com John Kennedy que ali esteve discursando há algumas décadas atrás. O eleitor americano vive um clima de oba-oba, com reflexos no mundo inteiro em razão da novidade que a sua eleição representa. Terá o século XXI mais um presidente medíocre e oxalá não seja um governo tão corrupto como o nosso.

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