O Vinil é o futuro da indústria fonográfica

Já notaram como a qualidade da rádio brasileira melhorou? Com a diminuição do jabá, a diversidade e a qualidade de músicas no ar melhorou. Por outro lado, quase não se toca mais músicas novas e/ou inéditas.

O problema obviamente não é a falta de músicas novas. Nunca se fez tanta música no Brasil e no mundo, porque nunca foi tão fácil de fazer.

O problema é que a indústria fonográfica está em crise. A venda de CDs caiu vertiginosamente. E sem expectativa de receita não dá para promover novos artistas na rádio.

A indústria do disco ganhou muito dinheiro com a transição — forçada em boa parte — dos Vinis pelos CDs, mas ironicamente o tiro acabou acertando o próprio pé, porque um formato digital e altamente reprodutível e gravável como o CD criou as condições perfeitas para a pirataria na era da internet.

Sob o ponto de vista da democratização da cultura, nada de melhor pôde acontecer com a humanidade que o advento da internet. A internet foi feita sob medida para distribuir música. Tudo que está acontecendo no mundo está disponível a todo o mundo e de maneira descontrolada. Isto é imbatível. E mais imbatível ainda é a música pirata proporcionar que a parcela das músicas que deveriam ser pagas seja distribuída de graça. Não há jeito da indústria fonográfica mudar isto. Já era.

Na minha opinião, a única maneira da indústria fonográfica sair da crise é adotando novamente o Vinil como formato principal de distribuição de músicas. O problema da indústria não é a internet, é o CD que é vagabundo.

O Vinil é melhor que o CD. Ele é maior, ele tem mais espaço para encartes, ele é muito mais colecionável, e, como ele não pode ser duplicado facilmente, tem aquele caráter de preciosidade, de unicidade, uma aura, que o CD não tem. Há quem diga que até em qualidade de som o Vinil supera o CD. Até a dificuldade de distribuição do Vinil é positiva, pois só o torna mais precioso. Até o espaço reduzido para as músicas é positivo, pois só as torna mais valiosas no vinil.

Mas para a indústria fonográfica a maior virtude do Vinil é a seguinte: uma cópia digital do conteúdo do Vinil, além de mais difícil de se fazer, será sempre inferior ao original. Porque o som do Vinil está impresso em relevos, não é um conjunto de bits digitais.

Penso que a readoção do Vinil — com um material gráfico bonito, a um preço acessível — como meio de lançamento de músicas, junto com o abandono do CD para este fim, restaura a indústria do disco. Mesmo com a pirataria de MP3 comendo solta. Neste caso a pirataria voltaria a ser benéfica à indústria, como no tempo dos K-7, uma propaganda gratuita do pacote completo e original que o consumidor só encontraria no vinil.

E tudo começa do zero novamente.

2 Respostas to “O Vinil é o futuro da indústria fonográfica”

  1. Fernando Nunes Says:

    O cúmulo do moderno é voltar ao antigo!

  2. Chico Neves Says:

    Como seria bom ter o vinil de volta.
    Pra mim um pouco da magia da musica foi se acabando quando veio o formato CD. Agora não temos mais como apreciar uma boa arte na capa de um disco. Como era bom ouvir 17 minutos de musica e ter de levantar para virar o disco. Achava este movimento mais saudável.

    Flavio,muito bom teu blog. Uma porta para textos inteligentes!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: