Homenagem ao Coringa

O Coringa de quem vou falar não é o do novo Batman, filme que eu ainda não assisti. Nada contra, gosto dos filmes de ação de Hollywood. Considero o Batman um dos super-heróis mais interessantes. O mais sábio, o mais discreto de todos.

Para quem acredita em OVNIs e teorias da conspiração, existe a lenda urbana que diz que o Batman foi deliberadamente criado para ser um super-herói gay.

´Bat´ em inglês além de ´morcego´ significa ´taco´, ´bastão´. No popular também é gíria para a genitália masculina. O Homem Bastão. Ele vive numa caverna com o Robin — pintarroxo, um passarinho — e com o mordomo, que teria ciúmes do relacionamento dos dois. Os bandidos seriam heterosexuais tresloucados. Para sair do crime, a Mulher-gato já pediu o Batman em casamento. A resposta dele foi “me peça tudo menos isto.”

É muito engraçado pensar nisso tudo. Mas francamente eu não acredito. É só uma lenda.

Mas eu quero falar do Coringa original. De todas as cartas do baralho, o Coringa é a que eu mais gosto. Ele não pertence a nenhum naipe. Ele não tem a hierarquia definida das outras cartas. Ele não é o Rei, que vale mais que a Rainha — na vida real, não seria o contrário? –, ele não é um gênio, um Ás. O Coringa é o vagabundo, é o bobo da corte, é o artista.

E é a carta mais importante de todo o baralho. Por não ter naipe, ele não discrimina. Por não ligar para hierarquia, ele é o único que se mistura com todas as cartas. O Coringa é quem se junta aos desacreditados e os transforma em vencedores.

O coringa é quem olha para além das convenções.

Numa vida, o objetivo de se tornar um, como diria Bob Dylan, Jokerman, não seria interessante?

O Coringa me lembra como é pouco inteligente a tendência do ser humano em se definir por categorias estanques que anulam umas as outras. Tipo eu sou de direita ou eu sou de esquerda. Como se uma posição invalidasse completamente a outra, como se em cada ponto-de-vista não houvesse uma parcela de verdadeiro e falso.

A figura do Coringa também mostra o ridículo que é uma pessoa pensar por rótulos ou convensões ou preconceitos, tipo, eu sou brasileiro então não gosto de argentino, ou, eu sou hétero então eu detesto os gays, enfim …

Viva o Coringa.

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