As putas na arte do século 20

O que Pablo Picasso e James Joyce têm em comum? Um é o maior pintor do século 20. O outro, o maior escritor. Os dois, estranhamente, são católicos. Mas a semelhança de que eu quero falar é outra. Ambos foram criados no meio de e profundamente marcados pelas putas. E elas são importantíssimas nas obras dos dois.

Os dois artistas foram jovens precoces, tanto pelo aspecto intelectual quanto pelo sexual. E ambos procuraram os bordéis ainda garotos, entre outras razões, para se educarem.

Certamente é diferente a relação de uma prostituta com um menino jovem se comparada à relação dela com um homem adulto. Seguramente podemos falar que as prostitutas também foram as mães de Picasso e Joyce. E que mães elas devem ter sido…

Imagino que a convivência com as putas foi um contraste perfeito na formação dos dois, que proporcionou-lhes uma visão mais plena da vida. Elas contrabalançaram Picasso da convivência com a aristocracia espanhola e Joyce da convivência com os jesuítas que o educaram.

Fato engraçado: Quando Joyce, um menino que pecou à vera para a idade, se confessou ainda garoto com o padre jesuíta falando de suas aventuras, este viu potencial nele para se tornar um padre também.

O erotismo permeou a carreira e a vida de Picasso — um vulção sexual — até o final. Tem um desenho feito pelo Picasso já nos 90 que é um auto-retrato dele garoto entre três putas gloriosamente peladas e os chamados Hidalgos espanhóis.

Dentro da pletora de estilos que ele inventou e desenvolveu, talvez seu quadro mais genial e representativo de transição é o Les Demoseilles d´Avingnon, as damas de uma das ruas de prostituição da Barcelona da época. Das cinco prostitutas, duas possuem faces que lembram máscaras ibéricas e africanas, novos interesses de Picasso de então, que são bem distintas das faces das outras três.

O que falar da relação da obra de Joyce com as putas? Os bordéis de Dublin estão em todos os seus livros, nos momentos mais importantes. A cena do bordel é sempre crucial. Para ficar em Ulisses, a cena dos bordéis é a transição de uma imagética objetiva na forma para uma imagética surrelaista em que o real e a fantasia passam a se confundir.

O que pensar de tudo isso? Eu agradeço as putas pelo grande serviço prestado à arte moderna.

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