Duas Caras

Ele era a mesma pessoa. A mesma pessoa com duas caras. Uma cara era amigável com qualquer outra cara que não fosse a dele. Cara de anjo, cara de mulher, cara de pau, cara de peixe morto, cara de tacho.

A outra cara era indiferente. Como qualquer outra que não fosse a dele.

O cara da cara amigável morreu. Não aguentou a barra. Morreu porque fez muita cagada. Cansou de pagar caro por aquela cara, que mesmo assim lhe era cara.

A cara de indiferença continua viva.

Mas o cara se arrependeu de ter matado a sua outra cara. Ele viu que esta cara era rara. E por isto ela lhe dava um gosto de gala, na cara. Era a cara com o gosto de bom gosto.

Com a outra que está viva, a vida tem um gosto ralo de ralo. Um sabor mala de bala. Ele agora se sente um rato. Na sua cabeça isto é um fato. Que chato. O que ele pensava que era o seu melhor é o seu pior.

Agora o cara está careca. Na sua vida ele escarra. O seu espírito é um esgoto. Ele Vive de pirraça com os outros. Está sempre puto. Tem cara de surto.

Mas depois a vida mudou de novo. Depois do presente veio o futuro. E o cara mudou novamente. A cara amigável voltou. Agora para ficar. Para amar. Para cagar. A cara que ele ficava com a meninada da rua. De limonada, de marmelada.

E viva a fênix, cujo verdadeiro nome sempre foi Re-nato.

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