A eternidade em um momento

365 dias fazem um ano. Este fora o tempo em que não se viram. Ele e ela. Os dois se reencontraram na mais improvável das situações. Numa fila para comprar o bilhete do Metrô. Conversaram no subsolo. 

Ela falou: ‘”Poxa, mas que saudade.”

Eles haviam feito amor. Uma vez. Ele sentiu a sensação de se ver de fora do próprio corpo na hora em que chegaria ao cume de seu espaço sideral, no mesmo momento em que o sino da igreja da bruxa badalou. “Cum.e“, deitados na cama. Ele não saberia dizer em relação a ela, mas o clima de reciprocidade era evidente. Depois deste episódio, nunca mais se viram, pois não esperavam nada um do outro. Até aquele dia … 

Ela falou novamente: “Eu estive na praia dois dias seguidos, no final de semana. Olha só como eu estou preta.”

Tem coisas que não se explica convencionalmente. Ele sabia disso. Por que ela, por quê? Por que razão ela, de outro mundo, fora a mulher mais saborosa e ao mesmo tempo a mais especial que conhecera em todo o percurso de sua vida que já não era mais tão nova assim? Ele não saberia dizer quem ela era, a não ser que fosse um fenômeno da natureza invadindo e destruindo o seu bote salva-vidas, que singra pelo oceano normalmente calmo de sua vida.

Ele falou consigo mesmo: “Mas o que eu posso fazer agora, além de me render à invasão?”

Depois ele falou para ela: “Vamos saltar juntos, no mesmo lugar. Como antes.”

Fizeram amor gostoso durante uma semana inteira. Só para recuperar a eternidade que se passou.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: